Abertura da Exposição
Alumbramentos: água, cor, palavra
na Casa da Cultura de Paraty, no dia 01 de maio de 2010.

Foram selecionadas 18 obras para compor a sala de exposições, de 30 m2, da Casa da cultura, Casa da Cultura de Paraty, apresentado como um produto final de um processo de trabalho, o qual descrevo aqui.

Capa do Livro
A idéia deste trabalho surge em meados de 2009 a convite da pesquiadora Luana Antunes para desenvolver a ilustração da capa do livro, que havia sido premiada por um edital da Universidade Federal Fluminense com a publicação de Pelas águas mestiças da história: uma leitura de O outro pé da sereia, de Mia Couto.O INICIO
Para este trabalho, iniciei uma pesquisa na leitura de obras importantes do autor moçambicano, além do trabalho de pesquisa de Luana Antunes, que me cedeu o livro O outro pé da sereia, com o qual ela trabalhou neste ensaio literário.
Este livro foi muito importante para aguçar a minha criação. Não é uma literatura fácil, já que o autor usa expressões, muitas, para mim, desconhecidas, contudo, um facilitador é que esse era o instrumento de pesquisa da autora, que recheava nas páginas impressas, inúmeras anotações à lápis, decifrando nomes, expressões, idéias colocadas alí por Mia Couto.
A todo instante eu viajava nas páginas lendo duplamente: o que foi uma experiência incrível, pois havia dois tempos num só...algo que é complicado definir, mas as histórias narradas pelo Mia abriam-se em idéias das anotações da Luana.
A CRIAÇÃO E O PROCESSO
As imagens vinham à minha mente: destacava-as e passava para a outra fase: a criação.
Estava já, das conversas que tinha com a Luana, definido a técnica que iria usar, lançando-me num primeiro momento à aquarela, o crayon e o nanquim. Contudo, precisava encontrar a forma exata do que eu imagina para a capa do livro...e fui trabalhando dia após dia, constantemente...ouvia por vezes músicas de inspiração africana ( lembrando que ganhei um CD, neste estilo, do meu amigo, Sérgio Médici - ex-prefeito de Araraquara); múscias alegres, vivas... um ritmo que por vezes se parecia muito com o as do Brasil: raizes!
Pesquisei fotos, viajei (pela internet) à Maputo: praias lindas, paisagens quase brasileiras...percorri aquilo que se apresentava desta África, a qual nossos antepassados aterrorizaram este povo...
Havia, nestes momentos, uma certa dor, angustia...
E foi se mesclando esses sentimentos fortes, inexplicáveis, e o gesto rápido do crayon rompia o papel com images-fantasmas que eu nao via...apenas percebia: comos e fosse um gesto no ar! No momento da aguada...via-se a realização da mágica, da luz, do alumbramento:
água, cor, palavra...
As cores - buscava-as nas referências que tinha - ora vivas e contrastantes....ora os tons da terra, da mata, do lodo, do calor, do sol,da chuva...
CRIAÇÃO: UMA SOMATÓRIA DE ELEMENTOS
Já não me bastava os abstratos...necessitava de incrustar desenhos e os ícones geométricos que eu trazia das cerâmica pintadas no Atelier Varanda, em Araraquara, trazidas à Paraty: surgiam pequenas figuras, pequenos traços, pequenas batidas com pinceis finissímos.
Ja nao me bastava a aquarela, pois queria mais e mais camadas de cores fortes. Busquei a aquarela líquida que tecnicamente me daria a força da expressão e das manchas, das sobreposições minimalistas
ESTUDANDO SEMPRE
Paralelo a este processo, frequentei, nos últimos meses do ano de 2009, o atelier da Betty Pereira, em Copacabana, no Rio. O melhor do ateleir, alem dos cafés eram as conversas e descobimentos...melhor ainda as visitas as exposições que acontecem no Rio...melhor ainda a exposição do Jorginho Guinle no MAM: muita tinta, numa loucura total: expressão de pura liberdade!
A liberdade do traço!
Tudo isso bombava a minha criatividade, cujos aspectos técnicos recheavam os trabalhos de cor, forma, revisitando o desenho formal, a pintura, a colagem...e sairam vinte, trinta, quarenta trabalhos gráficos, em formatos pequenos preenchendo todo o papel...as vezes saindo fora do papel: as vezes minimalista, intimista...outras explosivo.
O resultado é, alem desta exposição, um projeto interesantissimo, que trata de um diálogo entre as artes plásticas e literatura, com oficinas e palestras, voltado ao universo moçambicano e afro-brasileiro.
Apresentação do trabalhoDiuner Mello, historiador e presidente
da Casa da Cultura de Paraty
Quem foi?
...com Tota, empresária da Plural
Amarante, artista plástico
...livro de presença
artistas de Paraty
Bil, Zezé (IHAP) Lucia ( aquarelista) e Ninaautora do livro "Pelas Águas Mestiças da História..."














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